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  • Talia Bonfante

Produção agroflorestal: engajando agricultoras e agricultores

Atualizado: 12 de nov. de 2020


Eles vivem em Apuí e vieram de vários estados do Brasil, em maior quantidade da Região Sudeste e de Rondônia.


Agricultoras e agricultores que vivem em Apuí vieram de vários estados do Brasil, em maior quantidade da Região Sudeste e de Rondônia, e para lá rumaram em busca de posse de terras cultiváveis, que pudessem garantir-lhes o futuro. Tem gente do Espírito Santo, do Pará, de Santa Catarina, do Rio de Janeiro e de muitos outros lugares.


Essas pessoas já trabalham cultivando a terra em suas cidades de origem, e levaram para Apuí os modos de cultivo a que estavam acostumados. Com o trabalho desenvolvido em torno do café, descobriram a agricultura em sistema agroflorestal, em que cultivam em consórcio alimentos e árvores nativas.


Maria Bernadete, que veio do Pará há quase 30 anos, foi uma das primeiras a se integrar ao projeto do Café Apuí Agroflorestal. Ela estava ansiosa por aprender a cuidar do café em sua propriedade: “Meus vizinhos sempre me sugeriam acabar com o café. Eu respondia que não, que ia deixar o café ali e um dia eu ia aprender a mexer com ele. Um dia eu vi um convite debaixo da minha porta, do Idesam, falando que iam ajudar a gente a cuidar do café. E eu fui ver o que era”, diz ela.


“Aqui sempre deu café, mas pouco. Todo ano eu tirava 60 latões, às vezes eu vendia para comprar outro café. Hoje não, eu tomo o meu café. Sei como ele é tratado, é orgânico, é uma alegria. Acordo e já sigo para cuidar do meu café. E agora tem ano que já tirei 200 latões. ”

João Nilton Ferreira Julião, que tem pouco mais de 50 anos, está há mais de dez anos em sua terra. Ele veio do Espírito Santo e teve outra propriedade em Apuí antes, que trocou pela atual porque a terra não parecia produtiva. Além do café, João produz cacau e trabalha também com gado de leite em pequena escala.


Ele também foi um dos primeiros agricultores a se integrar ao cultivo do café agroflorestal. “A gente cultivava o café do jeito tradicional, com o terreno o mais limpo possível. Eu nunca tinha cultivado assim, sombreado. Uma grande diferença é que a gente reduz a mão de obra, porque é mais fácil de manejar. E a gente limpa, desbrota e colhe na sombra. Isso também muda muita coisa”, diz ele. Ele destaca também o melhor preço do café e o cuidado com a saúde, já que a produção é orgânica e ele não tem contato com ‘veneno’.


Lidar com o controle do sombreamento do café também foi um aprendizado. Para uma boa produção, esse sombreamento tem que ser de cerca de 40%, e para garantir isso é preciso cuidar da poda das árvores de modo sustentável.


“A gente descobriu coisa que nem imaginava, sobre adubação orgânica e armadilhas para pegar as brocas. Tudo tão simples, e não faz mal nem para a gente e nem para a natureza. Economizamos e trabalhamos mais juntos, em família”, diz ele, que cuida da propriedade com a esposa e duas filhas.



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