top of page

Café Apuí Agroflorestal combina restauração produtiva e conservação florestal com produção de café de alta qualidade na Amazônia

há 11 minutos
6 min de leitura

1° Café produzido de forma sustentável na Amazônia revela como sistemas agroflorestais estão recuperando áreas antes degradadas e posicionando Apuí como nova fronteira de cafés especiais no Brasil



O sul do Amazonas historicamente lidera os rankings de desmatamento no estado, pressionado pelo avanço da pecuária extensiva de baixa produtividade que, embora predominante, gera baixa renda aos pequenos produtores e degradação do bioma. Entretanto, produtores rurais estão invertendo a lógica de uso da terra: em vez de abrir novas áreas, estão recuperando a floresta por meio do cultivo de café em Sistemas Agroflorestais (SAFs), demonstrando pioneirismo e inovação da bioeconomia amazônica.


O resultado é um modelo que melhora o solo, aumenta a biodiversidade e torna a produção mais resiliente, ao mesmo tempo em que eleva a qualidade do café.


Este novo contexto, que substitui a degradação pela restauração da região, é fruto do trabalho de inúmeras famílias com o apoio da Iniciativa Café Apuí Agroflorestal. Desde 2012, a iniciativa  implementa parcerias com agricultores familiares para a restauração produtiva de áreas degradadas, promovendo a conservação florestal e o acesso a mercados com um produto de alto valor agregado. É nesse cenário de transformação que se consolida a iniciativa Café Apuí Agroflorestal, desenvolvida pela Amazônia Agroflorestal e Idesam como uma solução estratégica que alia restauração produtiva e viabilidade econômica na Amazônia. 


A Iniciativa valoriza o produtor, a floresta e o produto, promovendo uma rede de valor justa e sustentável com assistência técnica. A criação do Campeonato de Qualidade Café Apuí Agroflorestal veio como mais uma ação para incentivo à produção de qualidade, aliado à assistência técnica e capacitações oferecidas localmente. “O campeonato surgiu porque a gente queria provar uma coisa simples: dá pra fazer café bom aqui em Apuí. E mais do que isso, dá pra fazer café bom com floresta junto”, conta Jônatas Machado, diretor de produção da Amazônia Agroflorestal. “Quando a gente fala de qualidade, não é só a bebida. É o jeito de produzir também”.


Campeonato de qualidade evidencia avanço técnico e abre mercados


Criado em 2021, o Campeonato de Qualidade do Café Apuí Agroflorestal reúne exclusivamente cafés produzidos em sistemas agroflorestais — um diferencial que conecta sustentabilidade e excelência.


“Em 2023, a gente ainda estava meio na aposta, sabe? Era muito mais um sonho de fazer um café de qualidade aqui. No ano seguinte, a gente já estava mandando amostra para concurso nacional”, relembra Jônatas.


O ano de 2024 foi um ano decisivo e histórico para a cafeicultura de Apuí. Com a visão de um futuro de produção de cafés especiais agroflorestais, a iniciativa decidiu investir de forma mais consistente na qualidade e iniciou um projeto de acompanhamento contínuo com a consultora Poliana Perrut, especialista em cafés robusta de qualidade. Com o objetivo de estruturar um grupo de produtores a ser acompanhado e capacitado, o primeiro grupo foi selecionado em abril de 2024. Ao longo da colheita e da pós-colheita, o trabalho foi intensificado e, já em outubro, amostras começaram a ser enviadas para campeonato nacional. Com apenas seis meses de projeto, o resultado surpreendeu. E, pela primeira vez na história do Amazonas, um produtor do estado, Rogério de Jesus Santana, figurou entre os 30 melhores cafés do Brasil.


Em 2025, o avanço foi ainda maior. Três produtores de Apuí passaram a integrar a lista dos 30 melhores cafés do Brasil no Coffee of the Year, sendo duas mulheres entre os selecionados. O desempenho confirmou a evolução do trabalho desenvolvido desde o ano anterior e, entre esses produtores, uma dupla alcançou também a lista dos 15 melhores do país.


“Quando o produtor tem acesso à tecnologia, assistência e troca ele evolui muito rápido. Coisa que sozinho levaria anos, aqui acontece em pouco tempo”, explica Jônatas Machado.


O grande destaque foi a dupla Viriato Rolf e Luiz Carlos Lemke, que avançou, cravando seu lugar entre os 15 melhores da competição na lista divulgada em 6 de novembro durante a feira da Semana Internacional  do Café de 2025. Juntam-se a eles na seleta lista do Top 30 as produtoras Marcia Brito e Marina de Araújo.


“O campeonato é um incentivo pra gente melhorar cada vez mais a qualidade do café aqui em Apuí. O maior desafio ainda é o clima — tem época de muita chuva, tem época mais seca. A parte técnica a gente já tem, assistência, adubação, manejo, colheita. Nisso a gente tá bem orientado. Agora, com a natureza, é ir se adaptando mesmo”, comentou Viriato, vencedor da edição mais recente.


Sobre o cuidado na produção, Viriato destacou ainda a importância de técnicas precisas para garantir a qualidade do café, “produzimos café, mas esse campeonato é a prova de que estamos trabalhando bem em um excelente café, premiado, com valor agregado. Um café de qualidade precisa ser colhido maduro e levado imediatamente ao terreiro suspenso; caso contrário, ele fermenta e perde qualidade”, concluiu.

No campeonato mais recente, as mulheres ocuparam as primeiras posições do ranking. Cerca de oito produtoras enviaram amostras na última edição do campeonato, realizada em outubro de 2025. Para a engenheira agrônoma Ludmilla Colares, a presença feminina foi fundamental para consolidar a cultura dos cafés especiais em Apuí, especialmente pela atenção aos detalhes exigidos no processo de colheita e seleção dos grãos.

“Em campo, quando a gente ia apresentar a proposta do café especial, não era muito bem vista, porque todo mundo tem a ideia de colheita do café verde e nunca espera o café madurar; é uma ‘tradição’ que acontece até hoje. As mulheres sempre foram muito mais abertas à ideia, acredito que por toda a sua paciência e delicadeza, já que é um processo que exige muito isso. É necessário esperar o fruto maturar bem e realizar uma catação manual, selecionando os cafés, e é isso que elas fazem de forma impecável, e convenciam os maridos a fazer o processo”, conta.

Segundo Ludmilla, o protagonismo feminino passou a ser incentivado também fora das propriedades, com a participação das produtoras em concursos e eventos nacionais voltados ao café especial. A visibilidade conquistada ajudou a fortalecer a autoestima das agricultoras e ampliou as perspectivas de futuro dentro da cadeia produtiva.

“Com isso, elas se sentem valorizadas e que estão fazendo uma tarefa além dos trabalhos domésticos de casa. Quando percebemos isso, começamos a trazer elas para frente desse processo, já que a iniciativa na família começou a partir delas. Começamos a mostrar o mundo do café além de Apuí; escrevemos elas no concurso Florada Premiada, que é realizado somente para mulheres em todo o Brasil. E, uma das nossas produtoras recebeu o prêmio de campeã regional do Amazonas, onde foi convidada para ir a Belo Horizonte; foi reconhecida no município de Apuí. Se sentiu muito agradecida por todo o reconhecimento do seu trabalho. Naquela época, ela não tinha nem coragem de sair de Apuí e viajar de avião. Hoje, ela sonha em conquistar o mundo através do seu café e, além disso, incentiva outras mulheres a alcançar isso também.

Em nível nacional, a produtora parceira da iniciativa, Dona Márcia Brito foi reconhecida como responsável pelo melhor café do Amazonas no maior concurso do mundo feito para mulheres, o Florada Premiada.  Dona Márcia trocou a vida na cidade pelo campo, em uma chácara de 2 alqueires, o equivalente a 2,4 hectares de área de cultivo, e viu uma oportunidade de aprendizado na assistência técnica apoiada pela Iniciativa Café Apuí Agroflorestal para o cultivo de café agroflorestal. Ela entrou no grupo de qualidade em Abril de 2026, em Outubro de 2026, 6 meses depois, já era a melhor produtora Amazonas no Florada. 


“É uma propriedade que tem apenas dois alqueires, mas isso mostra que para a gente ser reconhecido não precisa ter fazenda, pode começar pequeno e enquanto mulher mostra que a gente precisa acreditar nos nossos sonhos. Foi uma grande surpresa ter recebido esse convite para ir à Florada, é a realização de um sonho”, contou a produtora.

A iniciativa também vem atraindo produtores mais jovens e filhos de produtores, sinalizando um processo de renovação da atividade no território. É o caso de Viriato Rolf, de 30 anos, campeão do concurso regional de 2025. O resultado tem estimulado outros jovens a investir na produção de café agroflorestal em Apuí. 


Da floresta ao mercado


Em 2025, foram implantados 30 novos hectares de sistemas agroflorestais, com o plantio de mais de 66 mil mudas de café e 5,4 mil mudas de espécies florestais. Ao todo, 283 famílias demonstraram interesse em aderir ao modelo, evidenciando a expansão de uma nova abordagem produtiva no território, onde a floresta se mantém em pé.


Criada há mais de uma década, a iniciativa Café Apuí Agroflorestal fomenta uma nova economia em construção, nasceu da busca por alternativas produtivas sustentáveis. Hoje, o projeto soma 295,5 hectares implementados, com mais de 10 mil hectares de florestas conservadas e 131 toneladas de café produzidos. E se consolida como um modelo que integra produção de agricultura familiar, conservação e desenvolvimento local ao transformar áreas produtivas em sistemas biodiversos e de alto valor, Apuí, hoje capital amazonense do café (Lei Nº 804/2025), se posiciona como uma nova origem de cafés especiais no Brasil onde qualidade, inovação e floresta caminham juntas.



Contato Assessoria de Imprensa E-mail: karina.lourenco@cafeapui.com.br Telefone: (92) 98480-7731 Local: Apuí, Amazonas



 
 
 

Comentários


ODS1.png
ODS7.png
ODS13.png
ODS2.png
ODS8.png
ODS14.png
ODS3.png
ODS9.png
ODS15.png
ODS4.png
ODS10.png
ODS16.png
ODS5.png
ODS11.png
ODS17.png
ODS6.png
ODS12.png
Logo_ODS_Quadrado_FBRANCO.png
Empresa-B-Certificada-Logo-White-RGB-200x329-0dce758d-7aa1-4be6-93e8-e62bfa94d0a1.png

Realização:

LOGO PRINCIPAL AA BRANCO.png

Nós apoiamos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Amazônia Agroflorestal

 

Matriz: 33.837.198/0001-11

Av. Prof. Nilton Lins, 3259 - Bloco D - Flores - Manaus /AM

​

Filial Apuí: 33.837.198/0003-87

Av. Acre, 1027 - Apuí/AM

  • Instagram
  • Facebook
  • LinkedIn
  • TikTok

Parceiro Técnico:

Idesam_Logo_Traco_Neg_RGB.png
bottom of page